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Condução


Conduzir representa liberdade, independência e mobilidade para qualquer pessoa. A partir do momento que começamos a conduzir, a maior parte de nós toma essa capacidade como garantida, considerando-a um direito, quando na verdade se trata de um privilégio. 

A condução pode parecer uma atividade simples, natural e mesmo automática para alguém que conduz há muitos anos. No entanto, trata-se na verdade de uma atividade bastante complexa, que envolve exigentes processos mentais e capacidades motoras e inclui um elevado grau de risco. 

Para conduzir com segurança, uma pessoa precisa de utilizar um conjunto de capacidades mentais tais como: 

  • Atenção e flexibilidade mental: a capacidade de fazer várias tarefas enquanto se mantém concentrada na estrada, e de ir alternando entre as tarefas; 
  • Capacidades visuo-espaciais: manter a velocidade, distância e posição na estrada adequadas; 
  • Capacidade de resolução de problemas: lidar com desafios inesperados, tais como desvios ou obstáculos; 
  • Capacidade de analisar e tomar decisões: por exemplo, compreender, antecipar e reagir às ações dos outros condutores; 
  • Capacidade de reação: para reagir rapidamente e evitar acidentes; 
  • Memória: por exemplo, para recordar os trajetos; 
  • Capacidade de controlo emocional: a pessoa conseguir manter-se calma e paciente perante a adversidade. 


Neste módulo encontrará informação sobre como a demência (e outras condições comuns na terceira idade) pode afetar a capacidade de condução, bem como algumas sugestões para ajudar a pessoa com demência e os seus cuidadores a lidarem com alguns do problema mais comuns relacionados com a condução, na demência. 

ÍNDICE DE CONTEÚDOS


Como a Demência Afeta a Condução 

Ao provocar alterações de memória, concentração, coordenação, visão, tempo de reação e resolução de problemas, a demência compromete gravemente a capacidade de conduzir da pessoa. 

Numa fase inicial, os problemas poderão ser mais de atenção, memória e capacidade de analisar e resolver problemas, mantendo a pessoa as capacidades motoras praticamente intactas. 

Um diagnóstico de demência não significa que a pessoa se torna automaticamente incapaz de conduzir e que tenha que abandonar a condução de imediato. Algumas pessoas conseguem conduzir de forma segura durante algum tempo após o diagnóstico, dependendo da altura em que o diagnóstico foi feito. 

No entanto, com o passar do tempo, também essas capacidades ficarão comprometidas, sendo que todas as pessoas com demência serão incapazes de conduzir, a determinado ponto. A velocidade com que isso acontece depende de caso para caso, do tempo de diagnóstico, da velocidade de progressão da doença e do tipo de demência. 

Algumas demências têm sintomas que tornam bastante insegura a condução logo desde o início, tais como as alucinações visuais na Demência com Corpos de Lewy, ou o comportamento impulsivo na Demência Fronto-Temporal. 

Existem também outras condições de saúde comuns em idosos que podem comprometer a capacidade de conduzir de forma segura, tais como: 

  • Problemas de visão ou audição; 
  • Artrite. Em especial se afetar o pescoço, pode reduzir a capacidade da pessoa em rodar a cabeça, o que pode tornar mais difíceis e perigosas algumas manobras, tais como olhar para verificar quando pode entrar numa estrada com muito trânsito; 
  • Problemas musculares que podem dificultar tarefas como rodar o volante ou travar; 
  • Medicação para outras condições, como antidepressivos ou comprimidos para dormir, podem afetar a concentração, vigília e tempo de reação da pessoa. 

O fundamental é perceber se a pessoa com demência conduz de forma segura e até quando o consegue fazer. Quando começarem a aparecer sinais de que a capacidade da pessoa de conduzir em segurança está afetada, manter a condução representa um risco e perigo extremo para os outros e para si própria. 

Estes sinais poderão apenas notar-se quando a pessoa conduz em sítios não familiares ou quando ocorrem situações de emergência, situações em que pensamento rápido e flexibilidade mental são necessários. 

Desde o diagnóstico, a capacidade de conduzir deve ser monitorizada pela própria pessoa e pelos seus familiares, bem como pelo médico ou outros profissionais de saúde que acompanhem a pessoa. 


Questões Legais 

Os condutores têm obrigação de informar à autoridade competente, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), de qualquer condição médica que possa afetar a sua capacidade de conduzir de forma segura, nas quais a demência se insere. 

Depois de se reportar a informação, o IMT irá aconselhar o condutor a consultar um médico, para avaliar se é seguro a pessoa conduzir e por quanto tempo poderá continuar a fazê-lo. 

Se o médico determinar que pessoa com demência já não tem essa capacidade, poderá colocar restrições na sua licença de condução. Estas restrições podem ser por exemplo: a pessoa só poder conduzir perto de casa, em certas alturas do dia ou abaixo dos 100km/hora. 

É também natural que, dado o declínio progressivo de capacidades causado pela demência, o médico solicite a realização regular de exames médicos e de condução. 


Sinais que a Demência está a Afetar a Condução 


Quando deve a pessoa parar de conduzir? 

Muitas pessoas com demência escolhem parar de conduzir porque apercebem-se das suas dificuldades, o que faz com que percam a confiança nas suas capacidades, ou porque devido aos erros que cometem a condução passar a ser uma atividade muito desgastante para elas. 

No entanto, algumas outras pessoas optam por continuar a conduzir ou não têm consciência das suas dificuldades. Quando assim é, muitas vezes existe desacordo entre os familiares sobre se a pessoa com demência deve ou não parar de conduzir. 

Enquanto alguns familiares acham que a pessoa deve parar de conduzir imediatamente após o diagnóstico, outros familiares consideram que alguns riscos podem ser ignorados ou minimizados para que a pessoa continue a sentir-se independente e para evitar potenciais conflitos. Trata-se de tentar equilibrar a segurança com a independência da pessoa. 

Ao lidar com esta decisão, os familiares e cuidadores devem sempre ter em mente os riscos e potenciais consequências de deixar a pessoa continuar a conduzir quando já não é seguro. 

Poderá ser perigoso para a pessoa, que poderá perder-se ou magoar-se num acidente, e para o resto da sociedade, pois a pessoa poderá ter uma colisão com alguém ou outras pessoas poderão ter um acidente ao desviar-se do carro conduzido pela pessoa com demência. 

Perder o privilégio de conduzir pode ser difícil para a pessoa com demência, mas envolver-se num acidente grave poderá ser tão ou mais complicado para ela. 

Como tal, os familiares e cuidadores devem estar muito atentos às capacidades da pessoa e a quaisquer sinais que revelem que a pessoa já tem dificuldades em conduzir. Quando isso acontecer, é altura de favorecer que a pessoa pare de conduzir, de uma forma sensível e compreensiva. 


Sinais que a demência está a afetar a capacidade de condução 

Muitas vezes, as alterações da capacidade de condução já existem há algum tempo sem ninguém ter reparado, pelo que é importante agir ao mínimo sinal de alarme. 

Poderá já não ser seguro a pessoa conduzir se: 

  • Não prestar atenção a veículos ou objetos que vêm direito a si, de frente ou dos lados, ou a sons de outros carros, como buzinas ou sirenes; 
  • Reagir de forma desadequada ou mais lenta ao que acontece, demorando demasiado tempo a virar, acelerar ou parar o carro; 
  • Trocar o pedal do acelerador com o do travão, ou ter dificuldade em distinguir a esquerda da direita; 
  • Ficar perturbada ou confusa quando acontece mais do que uma coisa ao mesmo tempo; 
  • Ficar nervosa, irritada ou agressiva com maior facilidade, quando sempre foi calma a conduzir; 
  • Ficar muito confusa quando existem situações que exigem uma alteração do planeado, como obras na estrada ou necessidade de seguir caminhos de desvio; 
  • Acidentes frequentes, sejam colisões ou quase-colisões com outros carros, riscos ou amolgadelas no carro; 
  • Não prestar atenção ou não compreender os sinais de trânsito. Por exemplo entrar numa rua apesar do sinal de proibido, ignorar o sentido obrigatório, passar riscos contínuos ou não parar nos semáforos; 
  • Conduzir de forma diferente ou insegura, seja muito mais depressa ou muito mais devagar do que costumava, andar entre faixas de rodagem ou a pisar as bermas, ou entrar em sentido contrário; 
  • Ter dificuldade em entrar numa faixa de rodagem com muito trânsito, hesitando demasiado sobre qual a melhor altura para entrar ou, pelo contrário, entrar sem prestar qualquer atenção aos outros veículos; 
  • Perder-se, ficar confusa ou demorar muito tempo em trajetos conhecidos ou familiares; 
  • Ficar confusa com direções que lhe sejam dadas; 
  • Cansar-se ou adormecer facilmente. 

Se algum destes sinais for detetado, deve tentar fazer-se com que a pessoa pare de conduzir imediatamente, e contactar o médico especialista ou o IMT para discutir o que se passa e que deve ser feito. O IMT poderá contactar o condutor e sugerir-lhe a realização de um exame médico e de condução. 


Dificuldade em Deixar de Conduzir 

Em princípio, qualquer pessoa terá que deixar de conduzir nalguma altura da sua vida, mas condições como a demência fazem com que essa decisão tenha de ser tomada mais cedo do que seria expectável e, por vezes, de forma abrupta. 

Perder o privilégio de conduzir é uma mudança de vida significativa e por isso a decisão de parar de conduzir pode ser uma decisão muito difícil, com um grande sentimento de perda para a pessoa. 

Parar de conduzir pode significar: 

  • Perda de independência. Conduzir significa podermos ir a qualquer sítio, por mais longe que seja, de forma autónoma; 
  • Perda de liberdade. Conduzir significa podermos ir a qualquer sítio à hora que quisermos e pelo caminho que escolhermos; 
  • Perda de mobilidade. Deixar de poder visitar amigos e família, fazer passeios frequentes e maior dificuldade em realizar tarefas diárias que envolvam deslocações, como ir às compras, ao médico, à igreja ou a algum clube ou associação de que a pessoa faça parte. Para as pessoas que vivem sozinhas ou em áreas mais isoladas, pode ser particularmente difícil gerir a sua vida, sem conduzir; 
  • Perda de identidade. Algumas pessoas sempre gostaram ou tiveram uma relação especial com carros ou com a condução, em especial se a profissão estivesse relacionada com essa atividade (como motoristas, taxistas ou mecânicos). Para além disso, ter um carro pode também ser um sinal de estatuto social para a pessoa. 


Assim, é natural que uma pessoa com demência que tenha que deixar de conduzir fique triste e com menos confiança, sentindo isso como uma perda de controlo da sua vida e uma desistência de muitas atividades importantes para si. Como tal, essa pessoa precisará da compreensão e apoio de quem o rodeia para minimizar esses sentimentos negativos. 

Conversar com a pessoa e explicar-lhe os riscos de continuar a conduzir, para que ela tome a decisão por si própria, pode ajudar, já que uma pessoa lidará melhor com essa mudança se partir da sua vontade do que for imposta pelo IMT, pelo médico ou pelos familiares. 

É também essencial garantir que a pessoa mantém as suas atividades sociais, passatempos e relações com amigos e familiares, pelo que se deverá antecipar essas necessidades e desenvolver um plano para que a pessoa as continue a realizar sem a ajuda de um carro. Planear e promover essa continuidade de mobilidade, atividade e relações atenuará um pouco esta transição. 


Antecipar e Planear a Decisão 

Planear antecipadamente como fazer com que a pessoa mantenha as suas rotinas e relações significativas sem precisar de condução, pode ajudar a pessoa a aceitar deixar de conduzir e a adaptar-se melhor a essa perda. Para o fazer, será importante: 

  • Falar com a pessoa e perceber as alturas em que ela precisa mais de conduzir. Para ir ao médico? Para ir ter com amigos? Para ir às compras?; 
  • Tentar incluir a família e amigos próximos no plano; 
  • Recordar que cada situação é única e que o que poderá funcionar com uma pessoa, poderá não funcionar com outra. 

Aqui ficam algumas estratégias que poderão facilitar a mudança. 


Limitar a condução de forma gradual 

  • Reduzir gradualmente a frequência de condução da pessoa com demência poderá facilitar que ela não reaja de forma tão negativa quando tiver mesmo que parar, ao mesmo tempo que reduz o risco de acidentes; 
  • Para isso, pode-se encorajar a pessoa a: 
    • Conduzir apenas em estradas familiares; 
    • Evitar conduzir longas distâncias; 
    • Evitar conduzir em locais ou alturas com muito trânsito; 
    • Evitar conduzir à noite ou quando está mau tempo; 
    • Deixar um cuidador conduzir enquanto ela vai ao lado, a dar indicações; 
    • Viajar em transportes públicos, de vez em quando, para ela já estar familiarizada quando tiver que os utilizar. 


Reduzir a necessidade de conduzir 

  • As pessoas que conseguem ter as suas necessidades satisfeitas sem precisarem de deslocar-se, lidarão melhor com o facto de não poderem conduzir, quando isso acontecer; 
  • Ter compras, refeições e medicamentos entregues no domicílio; 
  • Combinar visitas domiciliárias com o cabeleiro ou barbeiro; 
  • Garantir que amigos e familiares fazem visitas regulares a casa da pessoa; 
  • Combinar que amigos e familiares levem a pessoa a atividades no exterior. 


Garantir formas alternativas de transporte 

É importante arranjar soluções alternativas que permitam que a pessoa continue a deslocar-se de forma independente e a sentir-se mais em controlo da sua vida. 

Algumas formas alternativas de transporte são: 

  • Família e amigos. Organizar de forma a que familiares, amigos e vizinhos possam levar a pessoa onde ela precise de ir. Pode fazer-se uma lista com os nomes, números de telefones e disponibilidades das pessoas que podem dar boleias à pessoa; 
  • Transportes públicos. Para pessoas com demência numa fase inicial, os transportes públicos poderão ser uma boa alternativa (autocarros, elétricos, comboios). Funcionará melhor para quem já tenha usado e esteja familiarizado com os transportes da sua área de residência. Numa fase mais moderada, a pessoa poderá já não ser capaz de se recordar de horários ou caminhos, pelo que é aconselhável que vá acompanhada; 
  • Táxis ou TVDE. Para pessoas com demência em fase inicial a moderada, que não tenham alterações de comportamento, os táxis ou transportes em veículo descaracterizado (TVDE) podem ser uma boa solução, se a pessoa tiver alguém à espera para a receber no destino da viagem. No caso dos táxis, pode abrir-se uma conta com uma empresa de táxis para que a pessoa não use dinheiro; 
  • Transportes para seniores e pessoas com necessidades especiais. Contactar a junta de freguesia local para tomar conhecimento da existência de transportes comunitários adaptados, o que poderá ser uma boa solução caso a pessoa com demência apresente problemas de mobilidade. Os bombeiros também podem fazer alguns transportes, se necessário; 
  • Se for para ir a uma consulta médica, contactar a assistente social do hospital e centro de saúde e perguntar se existe algum transporte que possa ir buscar e/ou levar a pessoa com demência a casa; 
  • Andar. Encorajar a pessoa a andar, sempre que for possível e seguro. Se existir algum risco de se perder, sugere-se pedir a Pulseira Estou Aqui Adultos


Conversar com a Pessoa sobre Parar de Conduzir 

Sugerir à pessoa com demência que pare de conduzir pode ser algo muito difícil para os cuidadores, por terem receio de fazer a pessoa sentir-se mal ao chamar a atenção para a sua perda de capacidades ou receio de que a pessoa reaja mal e isso crie mais problemas. 

Enquanto algumas pessoas com demência reconhecem que perderam capacidades e começam a reduzir as vezes que conduzem ou decidem mesmo parar por elas próprias, outras ficam zangadas, tristes, frustradas ou desesperadas se alguém lhes sugerir que talvez seja aconselhável pararem de conduzir. 

As reações mais frequentes de pessoas com demência quando confrontadas com a necessidade de parar de conduzir são: 

  • Aceitação imediata. Algumas pessoas estão conscientes das suas dificuldades e ficam até aliviadas quando alguém as encoraja a parar de conduzir, por terem ainda noção dos riscos que correm. Poderão até encontrar alguns benefícios nisso, como menos custos, menos desgaste e preocupação e maior capacidade de apreciar as viagens com outra pessoa a conduzir; 
  • Recusa e negação. Outras pessoas recusam-se a parar de conduzir ou negam que têm algum problema ou perda de capacidades que as impeça de conduzir; 
  • Aceitação e esquecimento. Algumas pessoas até podem aceitar parar de conduzir, mas depois esquecem-se de que já não conseguem conduzir em segurança e, por uma questão de hábito, voltam a fazê-lo. 

Quando for altura de abordar o assunto, o melhor é falar abertamente com a pessoa com demência e incluí-la na discussão. Uma pessoa mais facilmente aceitará essa mudança se for incluída na discussão e se sentir que a decisão sobre parar de conduzir também foi sua. 


Estratégias para facilitar a conversa 

  • Começar a discussão sobre o assunto o mais cedo possível após o diagnóstico e numa altura em que todos estejam calmos. Tentar combinar que tipo de comportamentos ao volante são sinais de que a pessoa com demência deve parar de conduzir; 
  • Não ter conversas durante ou após um episódio de erro ou perigo na condução, mas sim aproveitar para o fazer quando existem alterações de medicação ou quando a pessoa tem alguma alteração do seu estado de saúde; 
  • Ter conversas breves e frequentes, em vez de uma conversa única e longa. É possível que sejam necessárias várias conversas sobre o assunto até que a pessoa decida parar; 
  • Explicar os receios e preocupações à pessoa com demência, de uma forma calma, aberta e direta. Por vezes, ao perceber que os outros estão muito preocupados com o que lhe pode acontecer, a pessoa concorda em deixar de conduzir; 
  • Abordar o assunto de forma gentil, tendo sempre em mente que deixar de conduzir e o sentimento de perda de independência pode ser muito difícil para a pessoa. Compreender a angústia, raiva e frustração da pessoa, e dizer-lhe isso para que ela saiba que alguém sabe o que ela está a passar. Por exemplo, pode dizer-se algo como: “Eu percebo que deixar de conduzir custa muito e que isso te zanga e te deixa triste, eu sentiria o mesmo se estivesse no teu lugar.”; 
  • Favorecer a que a pessoa fale sobre como esta potencial mudança o faz sentir; 
  • Normalizar a situação, reforçando que todas as pessoas têm que parar de conduzir a dada altura; 
  • Apelar ao sentido de responsabilidade da pessoa, explicando que parar é a decisão mais responsável para si e para os outros; 
  • Apontar os benefícios de deixar de conduzir: 
    • Não ter mais que andar à procura de lugares para estacionar ou ter que se recordar dos caminhos; 
    • Não ter mais a preocupação e desgaste de conduzir quando há muito trânsito, podendo apenas desfrutar calmamente da paisagem; 
    • O dinheiro que pode fazer ao vender o carro; 
    • O dinheiro que vai poupar em gasolina, impostos, seguros e manutenção do carro; 
    • A oportunidade de ver e conhecer mais pessoas ao andar em transportes públicos; 
    • A oportunidade de fazer mais exercício, caso a pessoa goste de andar. 
  • Explicar as formas alternativas de transporte que vão garantir que a pessoa continue com as suas rotinas e atividades significativas. Isto pressupõe também pensar na relação que a pessoa tem com o carro e em como essas necessidades podem ser compensadas ou substituídas; 
  • Se a pessoa não entender porque tem de deixar de conduzir, não vale a pena discutir ou argumentar, pois a capacidade de raciocínio da pessoa pode já estar afetada, e não só vai continuar a não compreender, como poderá ficar irritada ou agressiva; 
  • Algumas pessoas aceitarão com mais facilidade se alguém que vêem como uma figura de autoridade – tal como um médico, um psicólogo, um terapeuta ocupacional ou um assistente social – iniciar a conversa e lhes tentar explicar os motivos pelos quais já não é seguro conduzir; 
  • Pedir ao médico que escreva uma carta onde declara que a pessoa com demência não pode conduzir. Isso poderá não só fazer com que a pessoa aceite melhor a decisão, como também poderá ser útil para mostrar à pessoa quando ela não se recordar que já não pode conduzir. 


Se a Pessoa Insistir em Continuar a Conduzir 

Mesmo depois de várias conversas e de se tentar diferentes estratégias, algumas pessoas poderão continuar a insistir em conduzir, ou até aceitar parar mas esquecerem-se que o fizeram e pegarem no carro, pois é algo que sempre fez parte da sua rotina. 

Nessas ocasiões será necessário utilizar outras estratégias para evitar acidentes e garantir a segurança da pessoa com demência e de terceiros. 

Algumas estratégias são: 

  • Deixar o médico, ou as autoridades competentes “fazer o papel do vilão”, dizendo que a ordem para parar foi das autoridades e que por isso tem que ser cumprida, caso contrário poderão leva uma multa ou mesmo ir parar à prisão. Uma boa alternativa é o médico enviar a pessoa para uma perícia no Centro de Mobilidade do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, onde através de testes com simuladores se avalia se a pessoa mantem ou não a capacidade de condução. Desse modo, caso seja decidido que a pessoa não pode conduzir, o “vilão” será o Centro e não o médico, salvaguardando a relação entre a pessoa e o médico; 
  • Estacionar o carro num local que a pessoa não veja, para que não se lembre de conduzir; 
  • Recomendar que a pessoa com demência ofereça ou venda o carro a um familiar que precisa, por exemplo um neto ou algum sobrinho mais novo; 
  • Vender o carro ou dá-lo a algum familiar. Se a pessoa perguntar pelo carro, pode dizer-se que está na oficina a ser arranjado; 
  • Esconder as chaves do carro; 
  • Substituir as chaves do carro por um conjunto de chaves que não funcione; 
  • Arranjar um bloqueador de volante ou outro dispositivo ou equipamento que previna que alguém com as chaves da ignição consiga mover o carro; 
  • Desativar o carro da pessoa para que não pegue quando ela o tenta ligar; 
  • Pedir à pessoa para dar indicações no lugar do passageiro, pois o cuidador já tem saudades de conduzir; 
  • Mudar algumas rotinas para que não seja necessário utilizar o carro. 

Conteúdo atualizado a 5 de Dezembro de 2022