Tópico

Medicação


Tomar a medicação de forma rigorosa é essencial para as pessoas com demência e torna-se cada vez mais importante à medida que a doença progride. 

Nas fases iniciais, algumas pessoas com demência conseguem gerir a sua medicação de forma autónoma ou com um pouco de ajuda, mas com o avançar da doença poderão esquecer-se de a tomar, recusar-se a tomá-la ou tomá-la de forma errada. 

Isto conduz a perigos como intoxicação e sobredosagem, alterações de comportamento ou mesmo risco de vida, por não tomar um medicamento necessário. 

Como tal, torna-se importante ajudar a pessoa a tomar a medicação e desenvolver um plano para a medicação ser tomada de forma rigorosa, segura e atempada.


ÍNDICE DE CONTEÚDOS


Boas Práticas Relacionadas com Medicação 

Aqui ficam algumas boas práticas para favorecer que a medicação tenha os efeitos pretendidos e evitar problemas. 


Tomar a medicação como o médico prescreve 

  • Não tomar a medicação da forma como o médico prescreveu, seja em termos de dosagem ou de altura do dia, pode conduzir a sérias consequências de saúde; 
  • Nunca mudar a dosagem sem consultar primeiro o médico que receitou a medicação. Se existirem problemas devido ao custo, efeitos secundários ou dificuldades em tomar a medicação (por exemplo, a pessoa recusar), consultar o médico para perceber as alternativas existentes; 
  • Garantir que a medicação é ingerida (que é engolida na totalidade ou que a pessoa não a cospe, por exemplo). 


Minimizar o risco de interações perigosas de medicamentos 

  • É provável que uma pessoa com demência esteja a ser seguida por mais do que um médico. Por exemplo, o médico de família, um neurologista ou psiquiatra, e outros médicos de outras áreas, como cardiologistas, dermatologistas ou urologistas. Assim, é importante que todos os médicos – e também outras equipas de saúde que trabalham com a pessoa – saibam que medicação está a pessoa a tomar. Isto inclui toda a medicação, nomeadamente medicação para a qual não é preciso receita médica, tais como suplementos vitamínicos; 
  • Sempre que for a uma consulta, levar uma lista com a medicação que a pessoa está a fazer, onde constam as dosagens e as alturas do dia. Desse modo, o médico pode avaliar o risco de medicação em duplicado ou de interações de medicamentos que possam ser perigosas; 
  • Sempre que algum médico prescrever um novo medicamento, perguntar se existe algum risco de poder existir alguma interação com algum medicamento que a pessoa já está a tomar; 
  • Estar atento e informar os médicos de alergias da pessoa ou de efeitos secundários de medicamentos que tenham ocorrido anteriormente; 
  • Tentar adquirir os medicamentos sempre na mesma farmácia e, se possível, com os mesmos farmacêuticos, que já conhecem a pessoa, aquilo que ela toma e podem dar uma ajuda mais personalizada e alertar para algum risco; 
  • Tentar obter, junto do médico ou farmacêutico, o máximo de informação sobre cada medicação, incluindo o nome, para que serve, a dosagem prescrita, a frequência e os possível efeitos secundários. 


Utilizar lembretes para tomar a medicação 

  • Existem diferentes formas de lembrar uma pessoa com demência ou cuidador de tomar a medicação. Deve utilizar aquela que fizer mais sentido e for mais útil para cada caso; 
  • Fazer uma tabela. Fazer uma tabela de medicação com o nome dos medicamentos, a dosagem, os dias e a altura do dia em que devem ser tomados, e colocá-la num ou mais locais bem visíveis da casa;
  • Pode descarregar aqui dois modelos de tabela de medicação que fizemos para imprimir e utilizar, ou para servir como ideia para fazer a sua própria tabela de medicação. Poderá também anotar esses comportamentos na secção de "Medicação" da Home360Appoiar. Para ter acesso a essa secção será necessário criar conta primeiro (ver "Criar Conta");
  • Utilizar uma caixa de medicação. Especialmente as que têm divisões por dias e altura do dia podem ajudar bastante na organização, quer da pessoa com demência quer do cuidador. Numa fase inicial, uma caixa de medicação pode ajudar a pessoa com demência a gerir a medicação, mas à medida que ela começar a cometer erros a toma correta da medicação terá que ser assegurada por um cuidador; 
  • Utilizar avisos sonoros. Se o som não perturbar a pessoa, utilizar alarmes de temporizadores ou de relógios pode ser uma estratégia útil para recordar a pessoa para fazer alguma tarefa; 
  • A maioria dos telemóveis e computadores mais recentes têm a possibilidade de criar lembretes – avisos sonoros para nos lembrarmos de alguma coisa. O telemóvel apitará à hora programada e aparecerá uma mensagem a descrever o objetivo do alarme. Estes avisos podem ser programados para um evento habitual, sendo o alarme repetido todos os dias a essa hora; 
  • Utilizar post-its ou afixar papéis para lembrar de tomar a medicação em sítios bem visíveis. 

Para mais estratégias que ajudem a lembrar de tomar a medicação, consultar Auxiliares de Memória.


Fazer uma lista de medicação 

  • Manter um registo escrito de toda a medicação que a pessoa faz. Isso serve três objetivos: 
    • Permite à pessoa com demência ou cuidador saber rapidamente a medicação que a pessoa está a fazer; 
    • Permite ter um local para anotar quaisquer efeitos secundários ou problemas relacionados com a medicação, para que depois nos lembremos de dizer ao médico; 
    • Mostra ao médico ou farmacêutico a lista de todos os medicamentos que a pessoa está a fazer, tornando mais fácil detetar potenciais riscos de interações perigosas de medicamentos. 
  • Andar com a lista de medicação na carteira ou mala pode ser fundamental em caso de sobredosagem ou de um uma interação de medicamentos mais grave. 


Dicas para fazer uma lista de medicação 

  • Uma boa lista de medicação deve incluir: 
    • O nome de cada medicamento; 
    • A dosagem de cada medicamento; 
    • As datas em que a pessoa começou a tomar cada um dos medicamentos; 
    • O médico que receitou cada medicamento; 
    • Uma área para registar efeitos secundários ou outras dificuldades. 
  • A lista deve incluir medicação prescrita pelos médicos, medicação que não precisa de prescrição e quaisquer suplementos nutricionais ou alimentares; 
  • Começar com os suplementos. Os suplementos podem ser os mais fáceis de esquecer de colocar numa lista de medicação, pois são muitas vezes à base de ervas ou naturais. No entanto, esses suplementos podem na mesma interagir com medicação prescrita, pelo que os médicos e os farmacêuticos devem tomar conhecimento de que a pessoa os toma; 
  • Depois medicação que não precisa de prescrição. Esta medicação que não necessita de receita médica para ser adquirida pode incluir medicação para aliviar a dor, para alergias, para ajudar a dormir ou para ajudar à digestão; 
  • Finalmente, toda a medicação prescrita por médicos. Guardar os rótulos ou as caixas e frascos da medicação pode ser uma boa ajuda quando estamos a fazer uma lista de medicação, pois teremos toda a informação descrita, já que muitos dos nomes de medicamentos não são fáceis de decorar. Colocar as caixas ou frascos da medicação que a pessoa está a tomar numa única caixa ou saco grandes pode ser uma boa estratégia. 

Na secção "Medicação" da Home360Appoiar encontrará uma tabela de medicação onde poderá registar toda a medicação que a pessoa com demência faz. Para ter acesso a essa secção será necessário criar conta primeiro (ver "Criar Conta").


Armazenamento e segurança 

  • À medida que a doença progride, é aconselhável armazenar a medicação em segurança para evitar acidentes perigosos. Isto poderá incluir restringir o acesso da pessoa à medicação, se houver perigo de vida, tal como um risco de sobredosagem por a pessoa tomar a medicação mais vezes do que o suposto; 
  • Armazenar a medicação em segurança. Alguns medicamentos necessitam de um ambiente especial, como refrigeração. Não guardar essa a medicação no armário da casa-de-banho, uma divisão que muitas vezes tem um clima quente e húmido; 
  • Deitar fora medicação que já não está a ser usada ou que expirou, para evitar confusões; 
  • Restringir acesso a medicação. Se a pessoa estiver muito confusa com a medicação, tente condicionar o acesso da pessoa com demência à medicação, seja removendo-os de casa, retirando-os de locais de fácil acesso e visibilidade, como mesas e bancadas, trancando-os em gavetas, armários ou caixas fechadas ou colocando-os noutros locais a que a pessoa não veja ou não consiga aceder. Poderá ser necessária uma segunda caixa com fecho para medicações que necessitem ser refrigeradas. 


Contactos de emergência acessíveis e visíveis 

  • Tornar mais fácil a pessoa com demência e/ou o cuidador pedir ajuda, em caso de emergência; 
  • Manter bem visível e acessível à pessoa uma lista com os números de emergência. Isto incluirá os contactos de emergência, como 112, SNS24, polícia, bombeiros ou Linha do Centro de Informação Antivenenos, mas também os contactos de pessoas de referência, que ajudarão numa emergência, como um filho, um familiar ou um vizinho; 
  • Se houver uma suspeita de intoxicação por sobredosagem de medicação, deve contactar-se de imediato o 112 ou a Linha do Centro de Informação Antivenenos. 


Dificuldades Frequentes na Toma da Medicação 

  • Esquecer-se de tomar a medicação. É frequente a pessoa com demência esquecer-se de tomar os medicamentos, podendo ficar agitada se alguém a lembrar de os tomar; 
  • Tomar medicação a mais. A pessoa pode esquecer-se que já tomou a medicação e por isso tomá-la mais do que uma vez, o que pode ser muito perigoso; 
  • Tomar a medicação de forma errada. A pessoa pode baralhar os medicamentos, tomando-os na altura errada, na dosagem errada ou mesmo tomando medicamentos de outra pessoa; 
  • Dificuldades em engolir. A pessoa pode já ter dificuldades em engolir, o que dificulta que tome a medicação por via oral, em especial comprimidos, aumentando o risco de asfixia; 
  • Interação de medicamentos. As pessoas com demência apresentam um risco maior de interações adversas de medicação devido à grande quantidade e variedade de medicamentos que tomam. Podem tomar medicação para os problemas cognitivos, para as alterações de comportamentos e para a depressão. Alguns destes medicamentos, quando interagem com outros medicamentos que os idosos tomam com regularidade, podem provocar efeitos adversos que, por sua vez, podem conduzir à necessidade de se acrescentar ainda mais medicação para tratar esses efeitos adversos. Essas interações podem deixar a pessoa mais apática ou agitada, com ainda mais dificuldades de memória e em se expressar, com dificuldades em andar e com maior risco de queda, ou a outros efeitos ainda mais graves; 
  • Efeitos secundários adversos. Alguns efeitos secundários podem ser perigosos e ser necessário mudar para uma nova medicação. Outros efeitos secundários são apenas desagradáveis e desconfortáveis e vão desaparecendo com o tempo, à medida que o corpo da pessoa se adapta. Alguns efeitos secundários comuns são prisão de ventre, diminuição de apetite, agitação, agressividade, tonturas ou desequilíbrios; 
  • Resistência ou recusa em tomar medicação. A pessoa pode acreditar que já não precisa de tomar medicação ou desenvolver a ideia que a medicação lhe vai fazer mal, ou que tem mesmo o objetivo de lhe fazer mal. Isso poderá fazer com que a pessoa fique agressiva, cuspa ou deite fora a medicação ou comece a escondê-la. 


Causas de Resistência ou Recusa em Tomar a Medicação 

Por vezes, as pessoas com demência recusam-se a tomar a medicação, o que pode ser muito desgastante para os cuidadores. 

No entanto, é importante não assumir que a pessoa está a recusar a medicação “só para ser difícil” ou para provocar. Pode ser devido ao medicamento ser difícil de engolir, saber mal ou provocar efeitos secundários que a pessoa não quer experienciar novamente. 

Quando a pessoa se recusa a tomar a medicação, é importante perceber que, muitas vezes, estes comportamentos de resistência ou recusa são na verdade tentativas da pessoa em comunicar algo. 

Se tivermos isso em mente, concentramo-nos mais em compreender as necessidades da pessoa que estão a desencadear a resistência, o que ajudará a encontrar soluções. Algumas causas podem ser: 

  • Efeitos secundários da medicação. A pessoa pode recusar a medicação se essa o fizer sentir indisposto ou estranho. Muitas medicações causam efeitos secundários como náuseas, dores de estômago, agitação ou tonturas, pelo que é compreensível que a pessoa não a queira tomar. No entanto, a pessoa não consegue explicar isso e, como tal, recusa-se. Se suspeitarmos que este pode ser o motivo, o melhor é consultar o médico da pessoa; 
  • Outras doenças. A pessoa pode estar a sofrer de alguma doença ou problema físico que não a faça sentir bem, tais como uma infeção urinária, uma gripe, dor de garganta, ou um problema que lhe faça doer os dentes ou a gengiva; 
  • Reações a perda de controlo. A resistência pode ser uma resposta da pessoa quando se sente confusa, apressada, quando tem medo. Isso pode acontecer porque: 
    • A pessoa não se lembra ou não percebe o que tem que fazer; 
    • A pessoa não gosta de aceitar ordens porque isso a faz sentir que não está em controlo da sua vida, que não pode tomar as suas decisões. 
  • Delírios. A pessoa pode estar com ideias que não correspondem à realidade, por exemplo, que não precisa de medicação ou que a medicação tem o objetivo de a envenenar; 
  • Outros estímulos não diretamente relacionados com os medicamentos, tais como: 
    • A pessoa com demência não aceitar a medicação de uma determinada pessoa, mas aceitá-la facilmente se for dada por outra; 
    • O ambiente onde a pessoa toma a medicação poder ser desconfortável para ela; 
    • A pessoa ficar nervosa quando vê muitas caixas e frascos ou quando vê muitos comprimidos juntos. 


Estratégias para Facilitar a Toma da Medicação 

Apesar de não ser aconselhável forçar a pessoa com demência a tomar medicação contra a sua vontade, existem alguns medicamentos que são essenciais para a saúde da pessoa e que, por isso, ela precisa mesmo de tomar. 

De seguida apresentamos algumas estratégias para tornar a toma da medicação uma experiência mais positiva e que gere menos resistência por parte da pessoa. 

É importante ter presente que as reações e comportamentos da pessoa com demência vão mudando, e por isso o que funcionada numa determinada altura poderá deixar de funcionar, sendo preciso adotar uma nova estratégia. 


Proporcionar um ambiente calmo e tranquilo 

  • Quando for altura de dar a medicação, garantir que o ambiente em que a pessoa se encontra está calmo; 
  • Garantir que não existe muito ruído, tal como televisão, rádio ou muitas pessoas a falar ou a mexer-se; 
  • Pôr a tocar música calma e tranquilizadora pode acalmar a pessoa; 
  • Garantir que estamos calmos. Se estivermos agitados, frustrados ou zangados, a pessoa pode captar isso, ficando mais agitada e colaborando menos. Como tal, antes de iniciar a toma da medicação, respirarmos fundo algumas vezes e tentarmos manter-nos calmos durante o processo. 


Criar e cumprir uma rotina para tomar a medicação 

  • Por serem familiares, as rotinas conferem uma sensação de segurança à pessoa com demência. Por isso, estabelecer e cumprir uma rotina de toma de medicação poderá fazer com que a pessoa fique mais calma e colaborante com o passar do tempo; 
  • Para além de se dar a medicação às mesmas horas todos os dias, deve tentar-se que a medicação seja dada sempre na mesma divisão, com a pessoa sentada no mesmo local (por exemplo, quando estão na sua poltrona favorita) e utilizando o mesmo copo ou caneca para beber água; 
  • Para algumas pessoas dar a medicação logo a seguir à refeição funciona bem, pois a pessoa ainda está em “modo de comer”, o que pode facilitar; 
  • Perguntar ao médico ou ao farmacêutico se os medicamentos podem ser dados a determinada hora e nunca fazer alterações sem os consultar. 


Encontrar a melhor altura do dia para dar a medicação 

  • Todos temos alturas do dia em que funcionamos melhor e o mesmo se passa com uma pessoa com demência. Por exemplo, algumas pessoas não são tão comunicativas ou recetivas quando acordam, mas poderão estar mais alertas e bem-dispostas mais tarde; 
  • Se a pessoa ficar mais agitada ao final do dia – algo que acontece com frequência em pessoas com demência –, então deve evitar dar-se medicação nessa altura, a não ser que o médico insista que a medicação seja dada a essa hora por algum motivo de saúde; 
  • Tentar dar-se a medicação em horários em que a pessoa esteja mais aberta a aceitá-la, como as alturas do dia em que a pessoa tende a estar mais bem-disposta ou distraída com atividades de que gosta; 
  • Não deve fazer qualquer alteração ao horário de toma da medicação sem primeiro consultar o médico ou um farmacêutico, para garantir que tomar em horas diferentes não vai gerar outros problemas, como por exemplo impedir a pessoa de dormir. 


Explicar com rapidez e clareza para que serve a medicação 

  • A pessoa com demência poderá recusar tomar a medicação se não compreender ou se se tiver esquecido para que serve. É natural que uma pessoa não queira tomar um medicamento se não souber o motivo; 
  • Manter as explicações simples e breves. Se a pessoa perguntar para que serve determinado medicamento, deve oferecer-se uma explicação simples e não explicar demais, o que poderá aumentar a resistência. Pode dizer-se algo como: “Isto é um comprimido para tu dormires melhor, tomas sempre a esta hora. Põe-no na boca e depois bebe um pouco de água”; 
  • Doenças a que a pessoa reage melhor. Se a pessoa resistir, pensar quais as doenças ou condições da pessoa que a preocupam mais ou para as quais mais facilmente aceita ajuda. Ou mesmo a forma como descrevemos essas condições. Aqui fica o exemplo de um possível diálogo: 

Pessoa com demência: Não sei porque é que tenho que tomar isto. 
Cuidador: Porque tens artrite. 
Pessoa com demência: Eu não tenho artrite. 
Cuidador: Bem, às vezes tens dores nos joelhos e estes comprimidos podem ajudar.

  • Invocar a autoridade do médico. Dizer que foi o médico que mandou a pessoa tomar a medicação. Evitar dizer “Não te lembras que a Dra. Susana te mandou tomar isto?” porque a pessoa não se vai lembrar e isso poderá gerar-lhe agitação ou mesmo acusações de que é mentira. 


Utilizar linguagem simples e clara 

  • Falar devagar, com instruções curtas e simples, num tom de voz calmo e com uma linguagem corporal relaxada e não ameaçadora; 
  • Estabelecer uma ligação emocional à pessoa antes de lhe dar a medicação; 
  • Dividir a toma da medicação em passos e, de forma calma, explicar o que se está a fazer, dando tempo à pessoa para reagir. Por exemplo: “Este comprimido é para a tua tensão. Põe o comprimido na boca. Agora vais ter que beber água. Pega no copo e leva à boca. Agora bebe água, devagar.”; 
  • Utilizar gestos para demonstrar o que a pessoa tem que fazer. Por exemplo, podemos dar o comprimido à pessoa, demonstrar o que queremos que faça ao fingirmos ou pormos um comprimido falso na nossa boca, esperar pacientemente que a pessoa coloque o comprimido na boca dela e depois dizer: “Agora bebe um grande golo de água”. 


Favorecer a participação da pessoa 

  • Favorecer que a pessoa participe em qualquer parte do processo, pois isso pode dar-lhe um sentimento de controlo; 
  • Isto pode ser simplesmente a pessoa levar o copo à boca, se conseguir. 


Reduzir a frequência da toma 

  • Se estiver a ser muito difícil dar a medicação à pessoa, pode considerar-se reduzir o número de vezes que ela a toma, por dia. Por exemplo, se lhe foi receitada uma medicação que toma quatro vezes por dia, haverá alguma medicação equivalente que seja possível tomar apenas duas vezes por dia?;
  • Isso nunca deve ser feito antes consultar o médico da pessoa. 


Eliminar medicação ou suplementos desnecessários 

  • Outra hipótese é reduzir o número de medicamentos que a pessoa toma, se tal for possível. Menos medicamentos significará menos desgaste a tentar que a pessoa com demência tome a medicação; 
  • Alguma medicação pode ser eliminada por já não ser necessária ou por outro medicamento já provocar o mesmo efeito. Consulte o médico para perceber se isso é possível. 


Dar a medicação mais importante primeiro 

  • Assim, se a pessoa começar a resistir ou a recusar a meio da toma, pelo menos já ingeriu a medicação mais importante; 
  • Por exemplo, dar primeiro a medicação para a tensão, que reduz os riscos de acidentes vasculares, e dar depois os suplementos vitamínicos que, se a pessoa recusar, não são essenciais para a sua sobrevivência. 


Formas alternativas de tomar a medicação 

  • Algumas pessoas com demência podem ter ou desenvolver problema em engolir, tornando muito mais difícil tomar comprimidos, em especial os que são maiores; 
  • Para além disso, algumas pessoas recusarão tomar quaisquer comprimidos mas poderão aceitar melhor tomar a medicação de outra forma; 
  • Nessas situações, deve consultar-se o médico para perceber que formas alternativas poderão existir à medicação em comprimido, como por exemplo em cápsulas, pó, líquido ou em adesivos que são aplicados diretamente na pele; 
  • Outra solução é esmagar os comprimidos o mais possível e misturá-los na comida – por exemplo com puré de maçã ou iogurte –, o que poderá ser mais tolerável para a pessoa. É preciso ter cuidado para não estragar comida que a pessoa aprecia ao adicionar-lhe uma medicação amarga. Como alternativa, pode misturar-se a medicação apenas numa colher de comida ou doce; 
  • No entanto, antes de se esmagarem os comprimidos, deve sempre consultar-se o médico ou um farmacêutico para confirmar que não há problema em fazê-lo, porque alguns medicamentos podem perder efeito se forem esmagados; 
  • Se misturarmos a medicação na comida, então é melhor sermos honestos em relação a isso e explicar à pessoa porque o estamos a fazer. Agir de forma suspeita, escondendo a medicação na comida ou bebida à frente da pessoa, poderá torná-la ainda mais desconfiada, fazendo com que se recuse a comer; 
  • Esconder ou misturar a medicação na comida sem dizer à pessoa deve ser o último recurso, e apenas em casos em que não existe outra solução; 
  • Se a pessoa apresentar muitas dificuldades de engolir, deve consultar-se o médico e/ou um terapeuta da fala. Para mais informação sobre como lidar com dificuldades em engolir, consultar Dificuldades a Mastigar e Engolir.


Tomar a medicação com a pessoa 

  • Tomar a nossa medicação ao mesmo tempo que a pessoa torna esse momento uma experiência partilhada, o que pode facilitar a colaboração da pessoa; 
  • Podemos dizer algo como: “É a altura de tomarmos os comprimidos. Estes são os meus e estes são os teus”; 
  • Se o cuidador não tiver medicação para tomar, pode tentar utilizar comida que se assemelhe a comprimidos, tais como M&M ou rebuçados pequenos. 


Oferecer uma recompensa 

  • Pode tentar oferecer-se uma recompensa, sob a forma de comida, se a pessoa tomar a medicação; 
  • Por exemplo, colocar um pouco da sua comida preferida ou um pedaço de chocolate à frente da pessoa e dizer-lhe que é para ela comer depois de tomar a medicação; 
  • Isso até poderá ajudar caso a medicação que toma tenda a deixar um travo amargo na boca, passando a pessoa a associar essa experiência a algo positivo. 


Tentar noutra altura 

  • Por vezes, nenhuma estratégia funcionará e a pessoa continuará a recusar tomar a medicação; 
  • Se assim for, não será útil argumentar, levantar a voz, insistir ou forçar a pessoa tomar a medicação, por exemplo agarrando a boca da pessoa e colocando-lhe o comprimido na boca. Tudo isso perturbará ainda mais a pessoa, deixando-a agitada e mesmo agressiva, e contribuindo para que as próximas tomas de medicação sejam ainda mais difíceis; 
  • Nestas ocasiões, o melhor é fazer uma pausa, permitindo que a pessoa com demência e o cuidador se acalmem, e tentar 10 a 15 minutos mais tarde. Nessa altura a pessoa poderá estar mais colaborante e não resistir. 


Quando Contactar o Médico ou Equipa de Apoio 

Apesar destas estratégias poderem ajudar a criar um ambiente seguro e confortável para a pessoa tomar a medicação em casa, existem situações em que é fundamental contactar o médico ou uma equipa de saúde que presta apoio à pessoa, tais como: 

  • Quando a medicação está a terminar. Se percebermos que a medicação está quase a terminar, deve contactar-se o médico ou farmacêutico para tentar obter nova receita e medicação o mais rapidamente possível; 
  • Quando a pessoa toma medicação a mais ou a medicação de forma errada. Se a pessoa tomar medicação a mais do que devia por estar confusa, deve contactar-se de imediato o médico, o 112 ou a Linha do Centro de Informação Antivenenos; 
  • Quando a pessoa apresenta sinais de reação alérgica à medicação, ou outros efeitos secundários marcados, como desequilíbrios, tremores ou sonolência. Alguns efeitos secundários são toleráveis tendo em conta os problemas mais graves que a medicação resolve ou atenua, mas qualquer efeito secundário deve ser comunicado ao médico que acompanha a pessoa; 
  • Quando a pessoa se recusa a tomar a medicação todos os dias. Seja qual for a origem dessa resistência a tomar a medicação, o médico ou a equipa de saúde que apoia a pessoa poderão ter estratégias para lidar com o problema; 
  • Quando a pessoa consome álcool. A interação entre o álcool e a medicação pode tirar o efeito dos medicamentos ou provocar efeitos secundários perigosos, pelo que se a pessoa consumir álcool o médico que a acompanha deve ser avisado; 
  • Quando os delírios da pessoa persistirem durante muito tempo ou se estenderem a outras áreas para além da medicação, tornando a pessoa agressiva ou mesmo perigosa. Por exemplo, se para além da pessoa achar que os medicamentos são para a envenenar, também acha que a comida tem veneno e que todos os cuidadores a querem matar. Nesses casos, reportar a situação ao médico é fundamental, e ele poderá receitar alguma medicação alternativa para ajudar a reduzir e controlar os delírios. A equipa de saúde que apoia a pessoa também poderá ajudar com algumas estratégias para lidar com esses comportamentos. 
Tabelas de Medicação - Home360Appoiar.pdf

Conteúdo atualizado a 5 de Dezembro de 2022