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Envelhecimento e Demência


Envelhecimento

O envelhecimento não é uma doença, mas um processo inerente à vida. A principal característica do envelhecimento humano é a sua variabilidade, já que, apesar da idade provocar a diminuição da funcionalidade dos diferentes sistemas orgânicos, esta redução não se produz com a mesma intensidade em todos os indivíduos da mesma idade. 

Essa variabilidade faz com que, frequentemente, se atribuam determinadas alterações ao processo de envelhecimento “normal”, tanto por parte de familiares como por parte dos profissionais de saúde, levando a que a pessoa mais velha não possa ter uma assistência atempada e adequada. 

O envelhecimento cognitivo normal caracteriza-se por declínios, a partir da idade adulta precoce, na velocidade de processamento da informação, na memória episódica (memória de acontecimentos da nossa vida) e no raciocínio. 


Doenças da Cognição e Demência

As Doenças da Cognição são todas as patologias cujo principal sintoma seja o declínio de uma ou mais funções cognitivas. Consideram-se domínios cognitivos os seguintes: atenção complexa, funções executivas, aprendizagem e memória, linguagem, funções percetivo-motoras e cognição social. Estas doenças têm diversas características clínicas e diferentes causas. 

Numa classificação baseada na gravidade, as Doenças da Cognição incluem o Défice Cognitivo Ligeiro (ou Perturbação Neurocognitiva Ligeira) e a Demência (ou Perturbação Neurocognitiva Major), que se distinguem uma da outra pela autonomia no desempenho nas atividades de vida diária, ausente na segunda. 

Ou seja, pessoas com compromisso cognitivo adquirido, com um declínio em relação ao seu nível prévio de desempenho, e que é objetivamente comprovado pela história e pelos exames, e que interfere com o desempenho independente das atividades de vida diária, considera-se um caso de Demência. No entanto, se o declínio cognitivo não interferir com as atividades de vida diária, então será um caso de Défice Cognitivo Ligeiro. 

As Doenças Neurodegenerativas têm normalmente um início insidioso e são caracterizadas por uma progressão lenta e gradual. É frequente os sintomas já estarem presentes meses ou anos antes da primeira consulta e terem sido atribuídos pelos familiares e amigos ao envelhecimento normal ou a qualquer outro fator não patológico, como cansaço ou stress. 


Diagnóstico de Demência

O diagnóstico de uma Demência é feito com base na história clínica, antecedentes, observação e nos resultados de exames complementares de diagnóstico. Destes exames, a avaliação neuropsicológica é essencial para fazer a distinção entre o envelhecimento cognitivo normal e o patológico. Trata-se de um exame que avalia os domínios cognitivos através de testes padronizados, recorrendo também a escalas comportamentais e funcionais. 

Não existe um exame complementar de diagnóstico que seja 100% preciso na descoberta de uma causa. Nesta linha, é importante perceber que, na maior parte dos casos, não são necessários exames sofisticados (exemplo: ressonância magnética) para se chegar a um diagnóstico e, por outro lado, que nenhum desses exames nos dá 100% de certeza do diagnóstico. 

É importante esclarecer que o diagnóstico que é admitido como o mais provável poderá não corresponder ao definitivo. Isto é, para a maior parte dos tipos de demência, os diagnósticos definitivos só são possíveis se, após a morte da pessoa, se fizer uma autópsia que inclua uma análise do cérebro. 

Conteúdo atualizado a 10 de Novembro de 2022