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Zona de Refeições


Quer se situe na sala, na cozinha ou noutra divisão, os objetivos gerais de quaisquer mudanças na zona onde a pessoa com demência toma as suas refeições serão sempre ajudá-la a manter-se o mais autónoma e independente possível, garantir o seu conforto e segurança e facilitar a prestação de cuidados dos seus cuidadores. 

Alguns objetivos mais específicos serão: 

  • Que a pessoa identifique com facilidade os objetos e utensílios que precisa para tomar a refeição; 
  • Que a pessoa consiga utilizar os utensílios e comer da forma mais autónoma possível e adaptada às suas dificuldades e capacidades; 
  • Que se reduzam os riscos de confusão, engasgamento, intoxicação, sobrealimentação, queda e lesões; 
  • Que se facilite a assistência dos cuidadores durante a alimentação, se esse apoio for necessário. 

As mudanças devem ser sempre adaptadas às capacidades e dificuldades da pessoa com demência e podem ser feitas através de simples estratégias ou de ajudas técnicas. 

De seguida, apresentamos uma lista de estratégias que podem ser úteis aplicar na zona onde a pessoa com demência toma as suas refeições. 


Ambiente 

  • Garantir que existe uma boa iluminação da mesa durante as refeições, especialmente sobre a comida, para que a pessoa a reconheça com facilidade. Para tal, podem utilizar-se candeeiros de teto, candeeiros de pé ou de mesa ou manter as cortinas abertas e as janelas desobstruídas de objetos durante o dia para entrar o máximo de luz solar possível; 
  • Garantir que a mesa é estável e se encontra a uma altura adequada e adaptada à mobilidade dos braços da pessoa. Se a pessoa estiver numa cadeira de rodas, certificar-se que a cadeira cabe debaixo da mesa, se necessário; 
  • Garantir que a mesa não tem arestas afiadas que possam magoar a pessoa, ou encontrar uma forma de cobrir ou suavizar as arestas, como por exemplo lixando, colocando esponja de borracha ou protetores de cantos; 
  • Certificar-se que a cadeira onde a pessoa está sentada durante a refeição é estável, robusta e confortável e, se possível, que tem um apoio de braços; 
  • Garantir que a cadeira garante uma postura correta da pessoa: 
    • Cadeira colocada de frente para a mesa e na direção do prato e talheres; 
    • Joelhos da pessoa devem estar a 90 graus, com os pés assentes no chão; 
    • Se necessário, colocar uma almofada atrás das costas; 
    • Em pessoas acamadas, na altura da refeição, certificar-se que a cabeceira da cama se encontra o mais próxima possível dos 90 graus de inclinação.
  • Retirar da zona de refeição todos os pequenos objetos decorativos ou de limpeza que possam ser interpretados como comestíveis, especialmente objetos que apresentam cores vivas e que, por isso, chamam mais a atenção; 
  • Retirar plantas tóxicas, plantas ou frutas artificiais ou outros elementos decorativos que a pessoa possa confundir com algo comestível, e manter a comida para animais afastada da zona da refeição; 
  • Retirar da mesa outra comida que não a que é para aquela refeição específica. As pessoas com demência podem ter dificuldade em perceber o quão saciadas de comida estão ou poderão ter perdido o discernimento e, ao verem comida, poderão ter o impulso de a comer ou pensar que faz parte daquela refeição; 
  • Manter uma temperatura adequada para criar um ambiente confortável para a pessoa. 


Identificação dos Objetos 

  • Loiça, talheres e copos de cores diferentes e contrastantes da mesa, da toalha de mesa ou dos individuais, para ajudar a identificação e visibilidade dos vários objetos; 
  • Não utilizar individuais ou toalhas de mesa com padrões; 
  • O individual deve contrastar com a mesa ou toalha de mesa, facilitando a definição da área da refeição; 
  • Utilizar loiça simples e de cores sólidas, pois os padrões podem ser confusos e distrair a pessoa, dificultando a distinção entre o prato e a comida; 
  • O prato e a restante loiça devem contrastar com o individual ou toalha de mesa, para facilitar a definição dos seus limites; 
  • O prato deverá ser de uma cor sólida, preferencialmente branco, para fazer sobressair a comida e torná-la mais fácil de encontrar. Outra estratégia será utilizar pratos brancos com uma cor diferente apenas no rebordo; 
  • Os talheres devem também contrastar com o individual ou toalha de mesa. Se necessário, utilizar talheres coloridos ou de cabo colorido, ao invés dos mais típicos talheres de metal; 
  • Se a pessoa estiver com dificuldades em encontrar o copo de vidro, utilizar copos de vidro colorido, copos coloridos de outro material que não vidro ou colocar uma manga ou banda colorida no copo, o que para além de ajudar a identificar poderá também ajudar a pessoa a agarrar, se tiver dificuldades. No entanto, é importante ter em consideração que a maior parte das pessoas têm como referência copos de vidro transparentes, pelo que algumas podem ter dificuldades em identificar um copo se for diferente; 
  • Um exemplo de aplicação destas estratégias poderá ser: toalha de mesa ou individual vermelho, prato branco, talheres com cabo amarelo, copo de vidro com uma manga de silicone verde ao redor. 


Adaptação dos Utensílios 

  • Ponderar ajudas técnicas de adaptação dos objetos que favorecem a autonomia da pessoa; 
  • Não só devido às dificuldades da demência mas também por outras dificuldades (como acidentes vasculares cerebrais ou artrite), pode tornar-se muito difícil para algumas pessoas agarrar os talheres ou o copo. Nesses casos, existem produtos a que se pode recorrer para facilitar o uso desses objetos; 
  • Se a pessoa tiver dificuldade em agarrar ou segurar nos talheres, uma estratégia é torna os cabos dos talheres mais grossos ao inseri-los em tubos de esponja; 
  • Outra estratégia é comprar talheres com cabos já desenvolvidos para essas situações, que os tornam mais fáceis de agarrar, em lojas especializadas ou recorrer a bancos de ajudas técnicas; 
  • Se a pessoa tiver dificuldade em segurar no copo ou em incliná-lo para beber, uma boa estratégia é comprar um copo inclinado ou um copo com pegas; 
  • Se a pessoa tiver tendência a entornar os líquidos - por exemplo por a mão tremer muito -, pode-se encher o copo pela metade, ou utilizar-se copos ou canecas com tampa que têm uma pequena abertura por onde a pessoa pode beber; 
  • Se a pessoa tiver dificuldades em cortar comida, pode experimentar-se colocar um tapete antiderrapante ou um pano molhado debaixo do prato ou individual; 
  • Se a pessoa tiver dificuldades em apanhar a comida no prato, uma boa estratégia poderá ser utilizar uma taça de sopa em vez de um prato, ou então utilizar um rebordo para o prato – uma placa de plástico ajustável que se coloca sob pressão ao redor do bordo de qualquer prato, evitando assim que a comida escorregue para fora e servindo ao mesmo tempo de suporte para a apanhar com os talheres. Também poderá ser útil a pessoa passar a utilizar colheres em vez de garfos ou, caso já não consiga utilizar os talheres, e se a pessoa se sentir confortável com isso, deixá-la comer com as mãos, o que será uma forma de promover ainda alguma independência; 
  • Se a pessoa já tiver alguma dificuldade em ingerir líquidos – por exemplo, por se engasgar com maior facilidade – uma boa estratégia poderá ser recorrer a palhinhas dobráveis ou então colocar um espessante no líquido para reduzir o risco de engasgamento. No entanto, nesses casos, sugere-se sempre consultar o médico da pessoa ou um terapeuta da fala. 

Conteúdo atualizado a 6 de Dezembro de 2022