Alterações Psicológicas e de Comportamento
A demência provoca alterações de humor e comportamento na pessoa com a doença, o que pode fazer com que a pessoa se comporte de forma muito diferente daquela que sempre se comportou (por exemplo, uma pessoa muito reservada pode ficar bastante faladora e expor a sua vida privada a estranhos).
Estas alterações podem ser um dos aspetos da doença mais difíceis de lidar, quer para os seus familiares e cuidadores, quer para a própria pessoa com demência.
Algumas alterações psicológicas e de comportamento frequentes em pessoas com demência são:
É importante termos noção que estas alterações não acontecem em todos os tipos de demência e não acontecem a todas as pessoas.
As alterações psicológicas e de comportamento variam nas pessoas com demência e dependem de vários fatores, tais como o tipo de demência que a pessoa tem, a sua personalidade e história de vida, a sua saúde física, o ambiente em que está inserida, o apoio que recebe e mesmo a altura do dia em que está.
ÍNDICE DE CONTEÚDOS:
Apesar de muitas vezes não compreendermos o comportamento da pessoa com demência, esse comportamento terá sempre um significado para a própria pessoa.
Se conseguirmos perceber o significado e propósito do seu comportamento, e aquilo que o poderá estar a causar, será possível encontrar formas para ajudar a pessoa e proporcionar-lhe bem-estar, ajudando a minimizar o desgaste que alguns comportamentos provocam no cuidador.
Os comportamentos seguem os seguintes princípios:
- Todas as expressões da pessoa (palavras, gestos, ações) têm significado;
- Todos os comportamentos comunicam necessidades ou preocupações;
- Para se entender o significado dos comportamentos é preciso considerar os fatores que influenciam o comportamento (físicos, médicos, sociais, ambientais, psicológicos).
O comportamento é uma forma de comunicação, uma expressão dos nossos sentimentos e necessidades. Com a progressão da demência, a pessoa vai perdendo a capacidade de falar e o seu raciocínio vai ficando mais pobre, o que torna cada vez mais difícil que expresse, de forma verbal ou escrita, aquilo que sente e precisa.
No entanto, a pessoa continua a conseguir comunicar de outras maneiras, através de linguagem corporal, gestos, expressões faciais, tom de voz e atitude. Assim, o comportamento da pessoa com demência torna-se a melhor forma dela conseguir comunicar aquilo que precisa e a melhor forma dos cuidadores entenderem essas necessidades.
A pessoa com demência tem as mesmas necessidades que as outras pessoas, uma mistura de necessidades físicas, sociais e psicológicas, que incluem:
No entanto, devido às dificuldades da doença, as pessoas com demência podem ter mais dificuldade em reconhecer as suas necessidades, em saber como satisfazê-las ou como comunicá-las aos outros.
Apesar de alguns comportamentos resultarem diretamente das alterações no cérebro, muitos comportamentos mais difíceis de lidar acontecem porque a pessoa:
Deste modo, sempre que exista uma mudança no comportamento da pessoa com demência, devemos pensar qual será a necessidade ou preocupação que ela está a tentar comunicar com esse comportamento.
Para o fazer, ajudará colocarmo-nos na pele da pessoa com demência, imaginando como nos sentiríamos e como nos comportaríamos se não nos lembrássemos das coisas, se tivéssemos dificuldade em pensar e falar, se não conseguíssemos reconhecer a nossa família e amigos ou mesmo orientarmo-nos dentro da nossa própria casa.
Para além disso, quanto mais soubermos sobre a pessoa, mais facilmente conseguiremos entender aquilo que o seu comportamento pretende comunicar. História de vida, empregos que teve, relações e pessoas importantes, crenças religiosas, preferências e rotinas, formas de reagir e lidar com acontecimentos de vida – tudo isso pode dar pistas sobre o significado de algum comportamento e ajudar a compreender as necessidades da pessoa naquele momento.
Todos os comportamentos são desencadeados por um estímulo ou “gatilho”. Quando o comportamento de uma pessoa se altera, é importante perceber o que poderá ter provocado essa mudança.
Terá sido algo que alguém fez ou disse à pessoa? Terá sido uma mudança ou estímulo no ambiente em que a pessoa está inserida que poderá ter provocado confusão ou desencadeado uma memória? O comportamento mudou subitamente? Se mudou, então a causa poderá ser física, a pessoa poderá estar com dor ou desconforto devido, por exemplo, a prisão de ventre ou a uma infeção.
Os comportamentos seguem muitas vezes um padrão e, se conseguirmos identificar esses padrões, poderá ser mais fácil perceber a necessidade ou preocupação que a pessoa com demência está a tentar comunicar. Por exemplo:
Assim, é importante estarmos atentos e estudarmos o comportamento da pessoa: como, onde e quando parece ter começado e o que ajudou a que a pessoa se acalmasse ou que o comportamento parasse? Foi algo que dissemos que a acalmou? Se sim, o que foi e qual o tom? Havia outra pessoa presente nesse momento?
Registar os acontecimentos num diário ou caderno poderá ajudar a identificar e reconhecer os estímulos que desencadeiam os comportamentos, bem como as estratégias que melhor funcionam para lidar com eles.
Poderá também registar esses comportamentos na secção de "Ocorrências" da Home360Appoiar. Para ter acesso a essa secção será necessário criar conta primeiro (ver "Criar Conta").
Enquanto algumas destas alterações estão diretamente relacionadas com a degeneração do cérebro provocada pela demência (morte de neurónios e alterações químicas), outras devem-se a problemas médicos e físicos, a estímulos do ambiente em que a pessoa está inserida, ou a reações psicológicas às perdas, sentimentos e preocupações decorrentes da experiência de viver com a doença.
A demência provoca uma morte gradual de neurónios e outras alterações químicas no cérebro. Isso faz com que alguns comportamentos da pessoa se alterem, dependendo da zona do cérebro onde a maior perda acontece.
Por exemplo, a zona frontal do cérebro, situada atrás dos olhos, controla a nossa concentração, motivação e outros aspetos como a capacidade de controlar os nossos impulsos. Se a demência provocar mais alterações nessa zona, a pessoa poderá ter mais dificuldade em planear ou concentrar-se, poderá ter menos motivação e ficar mais parada e apática, ou poderá passar a agir de forma mais rude e insensível.
A demência poderá também provocar delírios (ideias em que a pessoa acredita mas que não correspondem à realidade) e alucinações (ver, ouvir ou sentir coisas que não existem), que podem ser confusas e assustadoras para a pessoa com demência, influenciando a forma como se comporta e reage às situações.
A pessoa com demência pode ter alguma condição que lhe provoque dor ou desconforto e ser incapaz de se expressar devido às dificuldades cognitivas. Como tal, poderá ficar agitada ou agressiva. É particularmente importante descartar as causas médicas quando as alterações de comportamento são súbitas e abruptas.
Alguns problemas médicos e físicos que frequentemente causam alterações de comportamento na pessoa são:
A demência altera a forma como a pessoa reage ao ambiente. Muito ruído, luz, calor, conversas, pessoas ou atividades podem estimular demais a pessoa com demência, tornando-se muito difícil para a pessoa processar ou mesmo compreender os estímulos.
Por outro lado, se a pessoa com demência tiver poucos estímulos ou atividades, se passar pouco tempo com outras pessoas ou se, quando está com pessoas, não se sentir incluída, a pessoa poderá sentir-se aborrecida, só e isolada.
Para além disso, muitas pessoas com demência passam a depender das pessoas à sua volta como referência sobre como se devem comportar ou sentir. Por exemplo, se um cuidador estiver nervoso e preocupado, a pessoa com demência poderá espelhar essas emoções, ficando também ela nervosa e preocupada.
O mesmo acontece se alguém falar com a pessoa de forma mais rude ou agressiva, se a tratar como um criança, se ignorar as suas vontades e desejos ou se a tentar apressar, tudo comportamentos que podem levar a pessoa a sentir-se triste ou irritada.
Existem também estímulos no ambiente que podem agitar a pessoa, por ela não os compreender. Por exemplo, a pessoa pode ver o seu reflexo no espelho e não se reconhecer, achando que está outra pessoa em sua casa, o que a pode levar a ficar ansiosa e com medo.
Sons altos e repentinos, como o telefone ou a campainha, podem também agitar a pessoa, bem como as mudanças de rotina ou dos locais da mobília e dos objetos, que tiram à pessoa as poucas referências familiares que ela ainda mantém, aquilo que lhes transmite segurança num mundo cada vez mais confuso.
As dificuldades de memória e raciocínio provocadas pela demência vão fazer com que a vida da pessoa mude drasticamente. A pessoa deixará de fazer atividades que sempre fez e que lhe são significativas, e precisará de ajuda noutras, incluindo atividades diárias básicas como tomar banho.
Tudo isso poderá provocar frustração na pessoa e sentimentos de perda de controlo da sua vida, deixando-a preocupada com o seu futuro e com o daqueles que a rodeiam. Isso pode conduzir, por exemplo, a que a pessoa:
Para além disso, as alterações de memória e as outras dificuldades cognitivas podem confundir a pessoa com demência, fazendo com que ache que está num local ou num tempo diferente, e fará com que reaja como se fosse essa a realidade. Por exemplo, a pessoa pode acreditar que tem que ir trabalhar e, como tal, ficar agressiva caso alguém a tente demover.
Outro exemplo é não reconhecer a própria casa como sua, e como tal, ter vontade de ir para a casa de que se recorda (muitas vezes uma casa em que viveu na infância), o que a pode levar a ficar agitada e a querer sair.
Pode também acontecer que um determinado estímulo (como uma fotografia, um objeto ou uma conversa), faça desencadear na pessoa uma memória antiga, da infância ou de outro período do passado, e que essa memória a perturbe ou a deixe feliz, alterando o seu comportamento.
De seguida, encontra um conjunto de alterações psicológicas e de comportamento frequentes em pessoas com demência.
Para cada alteração existe uma breve explicação, bem como uma lista de possíveis causas e uma lista de estratégias para prevenir e lidar com essas alterações.
Na secção “Intervenção em Crise”, encontrará informação sobre como identificar os fatores que podem estar a causar um comportamento e como agir quando existe um comportamento de maior agitação ou agressividade.
Procurar, esconder e acumular objetos
Delírios, suspeitas e acusações